Tuesday, June 2

golpeio os sentimentos.


fustigaste-me com círculos rectos na minha própria mente. corrompeste meus desejos fantasiosos de forma vil e despreocupada. fatídicos dias, dava-me a conhecer sem me dar conta no que me infundia. desconhecida de tal sentimento, violento; que dificulta um raciocínio lógico e imparcial, extraviava-me e alimentava este macabro ser, por vezes doce. sabor agradável como o mel, de sorrisos seus. mas por vezes amargo. sabor penoso, adstringente, completamente ressentido pelos sentidos. sabores que o preenchiam, que acabavam por fazê-lo envelhecer, o desmanchavam e o voltavam a construir, que o aperfeiçoavam.

no fim, fumo o último cigarro do dia, e quem sabe da vida. os meus pés tocam no fundinho desta cama, envelhecida tal como eu. estão engelhados e transpiram caminhos por onde me conduziram em ufanos passados. esqueço-me do que fui por instantes, e aprecio o que me fiz hoje. cada vez melhor mas, cada vez pior.

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